Modelo de Prontuário e de Evolução em Psicologia: o que o CFP realmente exige

Não existe um formulário oficial único, mas existe um conteúdo mínimo obrigatório. Veja o que a Resolução CFP 001/2009 determina e um modelo prático de evolução (SOAP/DAP) que atende à norma sem burocratizar a sessão.

A pergunta certa não é "qual modelo", é "o que a norma exige"

Muita gente procura por um "modelo de prontuário de psicologia" ou um "modelo de evolução psicológica" esperando um formulário oficial pronto. Ele não existe. O Conselho Federal de Psicologia (CFP) não publica um template obrigatório — o que ele define é o conteúdo mínimo que todo registro precisa conter e as regras de guarda e sigilo.

Isso é, na prática, uma boa notícia: você tem liberdade de formato, desde que o registro contemple os itens exigidos. Este texto separa o que é obrigatório por resolução do que é escolha metodológica sua, e entrega um modelo de evolução que você pode adaptar.

Regra prática: o formato (SOAP, DAP, texto corrido) é livre. O conteúdo mínimo não é.

Registro documental e prontuário: qual é a diferença

A norma central é a Resolução CFP nº 001/2009, que "dispõe sobre a obrigatoriedade do registro documental decorrente da prestação de serviços psicológicos".

Ela cria dois conceitos que costumam ser confundidos:

Em serviço multiprofissional, o registro do psicólogo deve ser feito em prontuário único, registrando apenas as informações necessárias ao cumprimento dos objetivos do trabalho (Art. 6º).

O conteúdo mínimo obrigatório (Art. 2º da Resolução CFP 001/2009)

Este é o verdadeiro "modelo" — o esqueleto que a norma exige. Segundo o Art. 2º, os documentos agrupados no registro do trabalho devem contemplar:

IncisoO que registrar
IIdentificação do usuário/instituição
IIAvaliação de demanda e definição de objetivos do trabalho
IIIRegistro da evolução do trabalho, de modo a permitir seu conhecimento e acompanhamento, bem como os procedimentos técnico-científicos adotados
IVRegistro de encaminhamento ou encerramento
VDocumentos resultantes da aplicação de instrumentos de avaliação psicológica — arquivados em pasta de acesso exclusivo do psicólogo
VICópias de outros documentos produzidos para o usuário/instituição, com registro de data de emissão, finalidade e destinatário

Repare que o inciso III é onde entram as evoluções de sessão. É esse item que o "modelo de evolução psicológica" precisa alimentar.

Modelo de evolução psicológica: formatos que atendem à norma

A resolução exige que a evolução permita "o conhecimento e o acompanhamento" do trabalho e registre os procedimentos técnico-científicos adotados — mas não impõe um formato. Três estruturas consolidadas na prática clínica ajudam a organizar isso de forma consistente. Nenhuma delas é exigência do CFP; são ferramentas de organização.

1. SOAP

Formato clássico de nota clínica, originário da documentação médica orientada por problemas, amplamente usado também em psicologia:

2. DAP

Versão enxuta do SOAP, útil para sessões de psicoterapia em que a separação subjetivo/objetivo é menos operacional:

3. Prontuário orientado para o problema (PPOP)

Modelo brasileiro publicado na literatura acadêmica (Almeida, Cantal & Costa Junior, 2008), que adapta o prontuário orientado por problemas à psicologia hospitalar: organiza uma lista de problemas ativos e inativos e usa notas de evolução estruturadas pelo método SOAP. Útil em contextos de equipe e acompanhamento longitudinal.

Escolha um formato e seja consistente. Coerência ao longo do tempo vale mais para a continuidade do cuidado — e para uma eventual defesa técnica — do que a "estrutura perfeita".

Modelo prático de evolução (adaptável)

Um esqueleto de evolução de sessão que cobre o inciso III da norma e se apoia no SOAP:

Boas práticas de escrita, alinhadas à Resolução CFP nº 06/2019 (que rege a elaboração de documentos escritos e revogou as Resoluções CFP 15/1996, 07/2003 e 04/2019): redação impessoal, em terceira pessoa, sucinta e coerente. Registre apenas o necessário ao cumprimento dos objetivos do trabalho — o prontuário documenta o processo, não transcreve a sessão inteira.

Modelo de evolução para copiar e adaptar

Um esqueleto que você pode colar no prontuário e preencher a cada sessão — cobre o inciso III do Art. 2º da Resolução CFP 001/2009:

Data: __/__/____  ·  Sessão nº: ___  ·  Modalidade: ( ) presencial ( ) online
Foco da sessão: _______________________________________________
Relato (S): ___________________________________________________
Observação clínica (O): _______________________________________
Avaliação (A): ________________________________________________
Intervenções / técnicas: ______________________________________
Plano (P) / próxima sessão: ___________________________________

Preencha de forma sucinta e impessoal, conforme a Resolução CFP 06/2019.

Por quanto tempo guardar o prontuário psicológico

O piso do CFP é claro: o Art. 4º, §1º da Resolução CFP 001/2009 estabelece guarda por no mínimo 5 anos, podendo ser ampliado por lei, por determinação judicial ou em casos específicos.

Atenção à nuance mais importante — e mais mal compreendida: quando o registro é um prontuário de paciente em estabelecimento de saúde, aplica-se também a Lei nº 13.787/2018, que fixa prazo mínimo de 20 anos a partir do último registro para o prontuário do paciente. Conselhos regionais têm orientado nesse sentido. Ou seja:

Na dúvida sobre o enquadramento do seu contexto de atuação, o prazo maior é o mais conservador e defensável.

Sigilo, acesso do paciente e registro digital

Três obrigações se somam ao conteúdo mínimo:

Para atendimento por meios digitais, a Resolução CFP nº 09/2024 passou a reger a prestação de serviços por Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação (TDICs) e extinguiu o cadastro no e-Psi que antes era exigido. A obrigação de documentar permanece a mesma, independentemente de o atendimento ser presencial ou online.

Erros comuns que geram problema em fiscalização

Perguntas frequentes

Existe um modelo de prontuário psicológico oficial do CFP?

Não. O CFP define o conteúdo mínimo obrigatório (Art. 2º da Resolução 001/2009) e as regras de elaboração de documentos (Resolução 06/2019), mas não impõe um formulário único. O formato é livre desde que contemple os itens exigidos.

Qual a diferença entre registro documental e prontuário?

O registro documental é a obrigação geral de documentar o serviço. O prontuário é a forma organizada desse registro por usuário, com garantia de acesso do próprio usuário às informações. Ambos precisam conter os itens do Art. 2º.

Preciso usar SOAP ou DAP?

Não é obrigatório. SOAP, DAP e o modelo orientado para o problema são ferramentas para organizar a evolução; nenhuma é exigência do CFP. O que a norma exige é que a evolução permita o acompanhamento do trabalho e registre os procedimentos técnico-científicos adotados.

Por quanto tempo devo guardar?

No mínimo 5 anos pelo CFP (Resolução 001/2009). Quando se trata de prontuário do paciente em serviço de saúde, aplica-se a Lei 13.787/2018, com prazo mínimo de 20 anos.

Atendimento online muda o registro?

Não muda o conteúdo obrigatório. A Resolução CFP 09/2024 rege os atendimentos por TDICs e não dispensa a documentação — as mesmas exigências valem para presencial e online.


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Fontes consultadas

Conteúdo revisado em 3 de julho de 2026. As normativas citadas podem ser atualizadas — consulte sempre as fontes oficiais do CFP e a legislação vigente. Este texto tem caráter informativo e não substitui assessoria jurídica nem a orientação do seu Conselho Regional de Psicologia.

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