IA na Consulta de Saúde Mental e a CFM 2.454/2026

Como usar IA na consulta de psiquiatria e psicologia: o que a CFM 2.454/2026 pede, o que o CFP orienta e como registrar o uso no prontuário.

A Resolução CFM 2.454/2026 está em vigor desde o fim de agosto de 2026: o uso de IA como apoio à decisão médica precisa ficar registrado no prontuário, e qualquer uso de IA deve ser comunicado ao paciente. Para psicólogos, o CFP não tem resolução sobre IA; publicou um guia de orientação em 2025. O CliniqMais usa IA para documentar (transcrição, rascunho da evolução, resumo do histórico) e, na evolução gerada pela gravação, grava o modelo usado e o momento da geração — você conduz a clínica, o sistema documenta a ferramenta.

Os 4 eixos da Resolução CFM 2.454/2026

Uma leitura prática da resolução em quatro eixos (organização nossa: o texto se divide em capítulos e anexos). Eles definem o terreno ético-regulatório onde a IA pode operar; o formato exato do registro no prontuário é decisão operacional de cada serviço.

1. Supervisão médica efetiva

O médico permanece o autor da conduta clínica. IA é apoio, nunca decisor autônomo. Diagnóstico, prognóstico e definição terapêutica por IA isolada são vedados.

2. Transparência ao paciente

Qualquer uso de IA deve ser comunicado e explicado ao paciente, deixando claro que ela apoia, mas não substitui, a decisão do médico (art. 11) — o scribe inclusive. O paciente pode recusar o uso (art. 5º, § 3º).

3. Governança dos sistemas

Quem desenvolve ou contrata um sistema de IA, seja a instituição ou o próprio médico, deve manter processos internos de governança (art. 14 e Anexo III): saber quais sistemas usa, para quê, com quais dados e sob qual supervisão.

4. Gestão de riscos e incidentes

Procedimentos documentados para identificar falhas, erros ou vieses dos sistemas. A norma classifica risco em baixo, médio, alto e inaceitável conforme impacto, autonomia e sensibilidade dos dados.

Como registrar o uso de IA na prática

A resolução exige registro do uso de IA como apoio à decisão médica, mas não prescreve formato específico. Como interpretação operacional — derivada do que a própria resolução exige (supervisão médica, transparência e registro do uso) — faz sentido registrar minimamente:

Esses elementos não estão como lista taxativa no texto da resolução; refletem o que a norma exige (registro do uso, transparência, supervisão) e o que faz sentido clinicamente. Cada serviço adapta ao seu fluxo.

Casos de uso comuns em saúde mental

O que efetivamente faz sentido em psiquiatria e psicologia hoje — e o que ainda não.

Scribe / transcrição de consulta

Áudio da consulta vira texto estruturado (HMA, MSE, plano). A arquitetura foi desenhada para reduzir o tempo gasto com digitação e permitir mais presença no contato com o paciente; não há ainda estudo formal mensurando o ganho específico.

Muito útil

Redação assistida da evolução

A partir de pontos-chave da consulta, IA propõe um rascunho de evolução clínica. Você edita, revisa e assume autoria final.

Muito útil

Busca de CID-10/11 integrada

Você registra a hipótese que formulou, sem sair da evolução. A busca não usa IA: no CliniqMais, a IA não sugere CID nem hipótese diagnóstica — o diagnóstico é seu.

Sem IA

Resumo longitudinal para retorno

IA gera um resumo das últimas consultas do paciente em segundos. Útil para revisão pré-consulta em paciente complexo.

Útil com revisão

Predição autônoma de risco de suicídio

Nenhum modelo atual tem rigor para predizer suicídio de forma autônoma, e escalas também não devem ser usadas isoladamente para prever risco. A avaliação clínica do profissional, eventualmente apoiada por instrumentos estruturados como a C-SSRS, segue sendo o centro. Em risco imediato: CVV 188, SAMU 192.

Use com cautela

Chatbot terapêutico autônomo (sem profissional)

A psicoterapia exige profissional habilitado, e o guia do CFP sobre IA (2025) orienta que a tecnologia não substitui a escuta e o julgamento da psicóloga. IA pode apoiar o trabalho do terapeuta, não substituí-lo.

Não recomendado

Como o CliniqMais usa IA com segurança regulatória

Três decisões de arquitetura pensadas para a CFM 2.454/2026 e a LGPD.

Seus dados não treinam a IA

Usamos a API da OpenAI sob os termos empresariais de uso da API — os dados enviados não são usados para treinar os modelos da OpenAI. É diferente do ChatGPT consumer ou de assistentes públicos, que podem reter conversas para melhorar o modelo. Pela política da OpenAI, o texto enviado (não o áudio da transcrição) pode ficar retido por até 30 dias para monitoramento de abuso.

O que o sistema registra do uso de IA

Quando a evolução é gerada pela gravação, o CliniqMais grava junto o modelo de IA usado e o momento da geração, e registra o uso na trilha de auditoria. Antes de finalizar uma evolução com trecho de IA, você confirma que revisou o conteúdo. Informar o paciente e respeitar a recusa é dever do médico (CFM 2.454/2026, arts. 5º e 11), e a ciência do paciente pode ser registrada na própria evolução.

IA sempre como assistente, nunca como decisor

O texto da IA chega como rascunho, para você revisar e editar antes de finalizar. Não há prescrição automática, não há diagnóstico autônomo, não há decisão clínica delegada ao modelo. Você usa a IA como usaria um bom escrevente: ela anota e organiza; você decide e assina.

Use IA na consulta com conforto regulatório

Crie sua conta, ative o scribe e veja a evolução gerada pela gravação sair com o modelo e o horário da geração registrados.

Conteúdo clínico revisado por · Dr. Diego Tinoco Rodrigues · Médico Psiquiatra · CRM-MG 58241 · RQE 37921 · Residência em Psiquiatria pelo Hospital das Clínicas da UFMG · Membro efetivo da Associação Brasileira de Psiquiatria

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Perguntas frequentes

O que é a Resolução CFM 2.454/2026 e quando entrou em vigor?

A Resolução CFM 2.454/2026 disciplina o uso da inteligência artificial na prática médica brasileira. Foi aprovada em 11/02/2026 e publicada no DOU de 27/02/2026; está em vigor desde o fim de agosto de 2026 (180 dias após a publicação). Numa leitura prática (organização nossa, não a estrutura do texto, que tem capítulos e anexos), ela se apoia em quatro eixos: supervisão médica efetiva da IA, transparência ao paciente, governança dos sistemas usados e gestão de riscos e incidentes. Em termos práticos, o uso de IA como apoio à decisão médica precisa ficar registrado no prontuário; o formato exato do registro não é prescrito pela resolução.

O que conta como "uso de IA na consulta" para fins da CFM 2.454/2026?

Qualquer ferramenta de IA usada no cuidado: scribe (transcrição automática da consulta), assistente de redação de evolução, sugestão de hipóteses diagnósticas, leitura de exames com IA, modelos preditivos de risco, chatbots clínicos. A resolução manda comunicar e explicar ao paciente qualquer utilização de IA (art. 11) — o que inclui o scribe —, e o paciente pode recusar (art. 5º, § 3º). IA de uso administrativo (ex.: agendamento) também está no escopo da resolução, em geral como solução de baixo risco (Anexo II), além da LGPD.

Como o psiquiatra pode registrar IA na evolução clínica?

A resolução exige registro do uso de IA como apoio à decisão médica mas não prescreve formato específico. Como interpretação operacional — derivada do que a própria resolução exige (supervisão médica, transparência e registro do uso) — faz sentido registrar minimamente: qual sistema foi usado (com versão quando possível), a finalidade clínica daquele uso, o momento do atendimento em que a IA participou e a confirmação de que o profissional revisou e assumiu a autoria final da conduta. No CliniqMais, quando a evolução é gerada a partir da gravação, ela guarda o modelo de IA usado e o momento da geração, e o uso fica na trilha de auditoria; antes de finalizar uma evolução com trecho de IA, você confirma que revisou o conteúdo. A finalidade do uso e a sua revisão, se quiser deixá-las por escrito, entram no texto da evolução.

IA pode substituir o médico na decisão clínica?

Não. A CFM 2.454/2026 é categórica: o médico permanece o autor da conduta clínica. IA é ferramenta de apoio — semelhante a um corretor de texto ou a um gravador com transcrição. A responsabilidade pela decisão (medicação prescrita, diagnóstico formulado, condução do caso) é integralmente do médico (art. 7º). A decisão sobre diagnóstico, prognóstico e prescrição cabe sempre ao médico, que pode acolher ou rejeitar as sugestões da IA (art. 18, § 2º) — em qualquer especialidade, não só em saúde mental.

Posso usar ChatGPT/Claude para ajudar a redigir evolução clínica?

Tecnicamente sim, com três cuidados: (1) Privacidade — dados sensíveis de saúde mental não devem ser enviados para serviços que treinam modelo com a entrada (use modo "Não treinar" ou opte por serviços empresariais com contrato de não-treinamento); (2) Registro — o uso precisa ser documentado no prontuário (CFM 2.454/2026); (3) Revisão — você assume autoria final. O CliniqMais usa a API da OpenAI sob os termos empresariais de uso da API (em que os dados enviados não são usados para treinar os modelos); a evolução gerada pela gravação guarda o modelo e o momento da geração, e o uso fica na trilha de auditoria. A revisão e a autoria final seguem com você.

E para psicólogos: a Resolução CFP 09/2024 trata de IA?

Não nominalmente. A Resolução CFP nº 09, de 18 de julho de 2024 (DOU de 30/07/2024), regulamenta o exercício profissional da Psicologia mediado por Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação (TDICs) e revoga as Resoluções CFP 11/2018 e 04/2020, mas o texto não menciona inteligência artificial. O que ela pede e alcança o uso de ferramentas digitais: avaliar a viabilidade e os impactos da tecnologia (art. 4º) e informar ao cliente quais recursos tecnológicos são usados para garantir o sigilo (art. 7º, parágrafo único). Sobre IA, o CFP publicou em dezembro de 2025 um guia de caráter orientativo, não uma resolução: a IA pode apoiar, mas não substitui o julgamento ético e técnico da psicóloga. Para médicos, a norma específica de IA é a CFM 2.454/2026.

CliniqMais — prontuário eletrônico para psiquiatria e saúde mental no Brasil