IA Clínica em Saúde Mental
Como usar IA na consulta de psiquiatria e psicologia conforme a CFM 2.454/2026 e a CFP 09/2024 — e como registrar isso no prontuário.
A Resolução CFM 2.454/2026 entra em vigor em agosto e a CFP 09/2024 já está vigente: o uso de IA com apoio à decisão médica precisa ficar registrado no prontuário. O CliniqMais usa IA contextualizada (scribe, sugestão de evolução, busca de literatura) com registro automático do uso — você conduz a clínica, o sistema documenta a ferramenta.
Os 4 eixos da Resolução CFM 2.454/2026
A resolução organiza obrigações em quatro grandes eixos. Eles definem o terreno ético-regulatório onde a IA pode operar; o formato exato do registro no prontuário é decisão operacional de cada serviço.
1. Supervisão médica efetiva
O médico permanece o autor da conduta clínica. IA é apoio, nunca decisor autônomo. Diagnóstico, prognóstico e definição terapêutica por IA isolada são vedados.
2. Transparência ao paciente
O uso de IA com função diagnóstica ou terapêutica deve ser informado ao paciente de forma clara e documentada, respeitando o direito à informação e a LGPD.
3. Governança dos sistemas
Clínicas e hospitais devem manter registros sobre quais sistemas de IA estão em uso, para que finalidade, com quais dados e quem responde tecnicamente por eles.
4. Gestão de riscos e incidentes
Procedimentos documentados para identificar falhas, erros ou vieses dos sistemas. A norma classifica risco em baixo, médio, alto e inaceitável conforme impacto, autonomia e sensibilidade dos dados.
Como registrar o uso de IA na prática
A resolução exige registro do uso de IA como apoio à decisão médica, mas não prescreve formato específico. Como interpretação operacional — derivada do que a própria resolução exige (supervisão médica, transparência e registro do uso) — faz sentido registrar minimamente:
- Qual sistema foi usado (nome do produto, idealmente com versão).
- Finalidade clínica do uso (transcrição, redação assistida, sugestão diagnóstica, etc.).
- Momento do atendimento em que a IA participou.
- Confirmação da decisão humana — que o profissional revisou, editou se necessário e assumiu a autoria final da conduta.
Esses elementos não estão como lista taxativa no texto da resolução; refletem o que a norma exige (registro do uso, transparência, supervisão) e o que faz sentido clinicamente. Cada serviço adapta ao seu fluxo.
Casos de uso comuns em saúde mental
O que efetivamente faz sentido em psiquiatria e psicologia hoje — e o que ainda não.
Scribe / transcrição de consulta
Áudio da consulta vira texto estruturado (HMA, MSE, plano). A arquitetura foi desenhada para reduzir o tempo gasto com digitação e permitir mais presença no contato com o paciente; não há ainda estudo formal mensurando o ganho específico.
Muito útil
Redação assistida da evolução
A partir de pontos-chave da consulta, IA propõe um rascunho de evolução clínica. Você edita, revisa e assume autoria final.
Muito útil
Sugestão de hipóteses diagnósticas (CID-10/11)
Diante do quadro descrito, IA sugere CIDs compatíveis. Útil para checagem cruzada, especialmente em quadros sobrepostos. Decisão diagnóstica permanece sua.
Útil com revisão
Resumo longitudinal para retorno
IA gera um resumo das últimas consultas do paciente em segundos. Útil para revisão pré-consulta em paciente complexo.
Útil com revisão
Predição autônoma de risco de suicídio
Modelos atuais não atingem rigor para autonomia clínica nesse desfecho de altíssima gravidade. Instrumentos validados como a C-SSRS, aplicados pelo profissional, seguem sendo o recurso recomendado pelas principais diretrizes para rastreio estruturado de ideação suicida.
Use com cautela
Chatbot terapêutico autônomo (sem profissional)
A psicoterapia exige profissional habilitado e a CFP 09/2024 posiciona a IA como apoio, não substituto. IA pode apoiar o trabalho do terapeuta, não substituí-lo.
Não recomendado
Como o CliniqMais usa IA com segurança regulatória
Três decisões arquiteturais que tornam o uso de IA aqui defensável tanto pela CFM quanto pela LGPD.
Seus dados não treinam a IA
Usamos a API da OpenAI sob os termos empresariais de uso da API — os dados enviados não são usados para treinar os modelos da OpenAI. É diferente do ChatGPT consumer ou de assistentes públicos, que podem reter conversas para melhorar o modelo. Soma-se a isso a revisão humana obrigatória e o registro automático do uso de IA no prontuário (CFM 2.454/2026).
Registro automático do uso de IA no prontuário
Quando você usa o scribe ou a redação assistida, o CliniqMais sinaliza no prontuário que aquele conteúdo foi gerado com auxílio de IA e mantém a revisão humana como etapa obrigatória — alinhado ao que a CFM 2.454/2026 exige sobre transparência e supervisão médica do uso de IA, sem você lembrar de digitar nada.
IA sempre como assistente, nunca como decisor
Em todo lugar onde a IA aparece, a interface é explícita: "Sugestão da IA — revise e edite". Não há prescrição automática, não há diagnóstico autônomo, não há decisão clínica delegada ao modelo. Você usa a IA como usaria um residente: ouve, decide, assume.
Use IA na consulta com conforto regulatório
Crie sua conta gratuita, ative o scribe e veja o registro automático do uso de IA aparecer na evolução clínica — pronto para ago/2026.
Conteúdo clínico revisado por · Dr. Diego Tinoco Rodrigues · Médico Psiquiatra · CRM-MG 58241 · RQE 37921 · Residência em Psiquiatria pelo Hospital das Clínicas da UFMG · Membro Titular da Associação Brasileira de Psiquiatria
Criar conta grátis no CliniqMais — Plano Inicial gratuito, sem cartão de crédito.
Perguntas frequentes
O que é a Resolução CFM 2.454/2026 e quando entra em vigor?
A Resolução CFM 2.454/2026 disciplina o uso da inteligência artificial na prática médica brasileira. Foi publicada em 11/02/2026 e entra em vigor a partir de agosto de 2026. A norma se organiza em quatro eixos: supervisão médica efetiva da IA, transparência ao paciente, governança dos sistemas usados na clínica/hospital e gestão de riscos e incidentes. Em termos práticos, o uso de IA como apoio à decisão médica precisa ficar registrado no prontuário; o formato exato do registro não é prescrito pela resolução.
O que conta como "uso de IA na consulta" para fins da CFM 2.454/2026?
Qualquer ferramenta de IA cuja saída influencie ou apoie decisão clínica: scribe (transcrição automática da consulta), assistente de redação de evolução, sugestão de hipóteses diagnósticas, leitura de exames com IA, modelos preditivos de risco, chatbots clínicos. Uso de IA puramente administrativa (agendamento inteligente, marketing) está fora do escopo regulatório do CFM, mas pode estar sob LGPD.
Como o psiquiatra pode registrar IA na evolução clínica?
A resolução exige registro do uso de IA como apoio à decisão médica mas não prescreve formato específico. Como interpretação operacional — derivada do que a própria resolução exige (supervisão médica, transparência e registro do uso) — faz sentido registrar minimamente: qual sistema foi usado (com versão quando possível), a finalidade clínica daquele uso, o momento do atendimento em que a IA participou e a confirmação de que o profissional revisou e assumiu a autoria final da conduta. O CliniqMais oferece esse bloco de registro automático para reduzir a fricção operacional do médico.
IA pode substituir o médico na decisão clínica?
Não. A CFM 2.454/2026 é categórica: o médico permanece o autor da conduta clínica. IA é ferramenta de apoio — semelhante a uma calculadora, a um pesquisador de literatura, a um colega que sugere. A responsabilidade pela decisão (medicação prescrita, diagnóstico formulado, condução do caso) é integralmente do médico. Sistemas de IA que oferecem "diagnóstico autônomo" são vedados em saúde mental — nem o ChatGPT nem nenhum LLM atual passa nos critérios médicos para autonomia diagnóstica.
Posso usar ChatGPT/Claude para ajudar a redigir evolução clínica?
Tecnicamente sim, com três cuidados: (1) Privacidade — dados sensíveis de saúde mental não devem ser enviados para serviços que treinam modelo com a entrada (use modo "Não treinar" ou opte por serviços empresariais com contrato de não-treinamento); (2) Registro — o uso precisa ser documentado no prontuário (CFM 2.454/2026); (3) Revisão — você assume autoria final. O CliniqMais usa a API da OpenAI sob os termos empresariais de uso da API (em que os dados enviados não são usados para treinar os modelos) e faz o registro automático do uso no prontuário — eliminando os três pontos de fricção.
A CFP 09/2024 (Conselho Federal de Psicologia) tem regras diferentes?
Sim — a Resolução CFP nº 09, de 18 de julho de 2024, regulamenta o exercício profissional da Psicologia mediado por Tecnologias Digitais da Informação e da Comunicação (TDIC), incluindo o uso de IA, e revoga as Resoluções CFP 11/2018 e 04/2020. Pontos centrais: (1) IA é ferramenta de apoio, nunca substitui o psicólogo no julgamento clínico e ético; (2) Uso de IA precisa ser informado ao paciente e respeitar a LGPD; (3) Responsabilidade técnica permanece com o psicólogo registrado no CFP; (4) A avaliação psicológica e a interpretação de testes permanecem responsabilidade do psicólogo registrado, que não pode delegar o julgamento clínico a um sistema automatizado. O CliniqMais foi desenhado para operar dentro das duas normas (CFM 2.454/2026 e CFP 09/2024) em conjunto.
CliniqMais — prontuário eletrônico para psiquiatria e saúde mental no Brasil