Relatório com dados públicos: 13.581 psiquiatras no país, diferença de 10 vezes entre estados, 42% fora do SUS, 3.147 CAPS e vendas de psicofármacos.
Psiquiatras por estado, rede de saúde mental no SUS, psicofármacos vendidos em farmácias e o que se sabe do SNCR — só com dados públicos. Este relatório reúne, por estado, quatro retratos da psiquiatria no Brasil, só com dados públicos e oficiais: quantos psiquiatras há e onde estão; a rede de saúde mental cadastrada no SUS; os psicofármacos vendidos em farmácias; e o que se sabe sobre o SNCR, o sistema da Anvisa que numera as receitas eletrônicas de controlados. Cada número traz a fonte, a data de referência e os limites. As tabelas completas estão disponíveis em CSV para baixar.
Segundo a Demografia Médica no Brasil 2025, "13.581 indivíduos têm título em Psiquiatria. Entretanto, são 14.976 registros de" especialistas: a diferença são médicos inscritos em mais de um estado. O mesmo estudo registra "6,39 Especialistas por 100.000 habitantes". Em outra página, na comparação com 41 países, o estudo usa outra taxa: "com 6,69 profissionais para cada grupo de 100.000 habitantes". A diferença está no próprio estudo; usamos 6,39, a da página da especialidade.
Por estado, o estudo informa o número de registros, não de pessoas. Dividindo pela população do IBGE de 2024 (a mesma base do estudo), a taxa vai de 1,59 por 100 mil habitantes no Pará a 16,66 no Distrito Federal. Por região, de 1,94 no Norte a 10,95 no Sul.
Limites: As taxas por estado e por região são cálculo CliniqMais com os registros por estado do estudo (14.976, um médico pode estar em mais de um estado) e a população do IBGE de 2024. O estudo publica essas taxas só em mapa por faixas. Os dados se referem a 2024.
| Estado | Registros | Por 100 mil hab. |
|---|---|---|
| Distrito Federal | 497 | 16,66 |
| Rio Grande do Sul | 1.821 | 16,22 |
| São Paulo | 4.496 | 9,78 |
| Santa Catarina | 678 | 8,41 |
| Rio de Janeiro | 1.378 | 8,00 |
| Paraná | 909 | 7,69 |
| Minas Gerais | 1.620 | 7,60 |
| Mato Grosso do Sul | 194 | 6,69 |
| Espírito Santo | 269 | 6,56 |
| Goiás | 410 | 5,58 |
| Rio Grande do Norte | 189 | 5,48 |
| Paraíba | 206 | 4,97 |
| Ceará | 450 | 4,87 |
| Alagoas | 151 | 4,69 |
| Piauí | 148 | 4,38 |
| Sergipe | 96 | 4,19 |
| Pernambuco | 370 | 3,88 |
| Mato Grosso | 137 | 3,57 |
| Tocantins | 51 | 3,23 |
| Bahia | 452 | 3,04 |
| Rondônia | 51 | 2,92 |
| Roraima | 18 | 2,51 |
| Acre | 19 | 2,16 |
| Maranhão | 143 | 2,04 |
| Amapá | 15 | 1,87 |
| Amazonas | 70 | 1,64 |
| Pará | 138 | 1,59 |
No Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), em setembro de 2026, 12.910 médicos estão cadastrados como psiquiatras em algum estabelecimento, 6,03 por 100 mil habitantes. Desses, 5.419 (42,0%) não atendem pelo SUS. Entre os estados com pelo menos 30 psiquiatras no cadastro, a parcela fora do SUS vai de 12,8% no Piauí a 58,0% no Distrito Federal.
O país tem 3.147 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) habilitados pelo Ministério da Saúde, 1,47 por 100 mil habitantes: de 0,47 no Distrito Federal a 2,96 na Paraíba. Estão cadastrados 27.721 leitos de psiquiatria, 14.360 deles disponíveis ao SUS.
Limites: O CNES registra a ocupação do médico em cada estabelecimento; por isso o total (12.910, contando cada médico uma vez pela ocupação principal) é diferente do número de especialistas com título do bloco A. "Não atende SUS" segue o campo do próprio cadastro. Estados com poucos psiquiatras cadastrados têm percentuais instáveis. Taxas por habitante: cálculo CliniqMais com a população do IBGE de 2026.
| Estado | Psiquiatras no CNES | % fora do SUS | CAPS habilitados | CAPS por 100 mil hab. | Leitos de psiquiatria |
|---|---|---|---|---|---|
| Acre | 13 | 46,2% | 9 | 1,01 | 63 |
| Alagoas | 161 | 13,0% | 68 | 2,11 | 686 |
| Amapá | 13 | 0,0% | 8 | 0,99 | 19 |
| Amazonas | 70 | 35,7% | 28 | 0,64 | 49 |
| Bahia | 477 | 31,2% | 289 | 1,94 | 820 |
| Ceará | 376 | 24,2% | 171 | 1,84 | 1.082 |
| Distrito Federal | 352 | 58,0% | 14 | 0,47 | 621 |
| Espírito Santo | 240 | 47,1% | 39 | 0,94 | 878 |
| Goiás | 357 | 36,7% | 89 | 1,19 | 1.385 |
| Maranhão | 155 | 15,5% | 94 | 1,34 | 670 |
| Mato Grosso | 136 | 47,1% | 52 | 1,32 | 271 |
| Mato Grosso do Sul | 147 | 34,0% | 39 | 1,32 | 256 |
| Minas Gerais | 1.474 | 49,4% | 428 | 1,99 | 1.547 |
| Pará | 108 | 27,8% | 109 | 1,24 | 168 |
| Paraíba | 236 | 17,8% | 124 | 2,96 | 481 |
| Paraná | 628 | 49,8% | 168 | 1,41 | 2.411 |
| Pernambuco | 439 | 22,6% | 155 | 1,62 | 1.552 |
| Piauí | 164 | 12,8% | 68 | 2,00 | 206 |
| Rio de Janeiro | 1.136 | 45,5% | 179 | 1,04 | 1.416 |
| Rio Grande do Norte | 199 | 25,1% | 47 | 1,36 | 352 |
| Rio Grande do Sul | 1.194 | 42,2% | 225 | 2,00 | 2.952 |
| Rondônia | 50 | 42,0% | 21 | 1,19 | 86 |
| Roraima | 13 | 0,0% | 11 | 1,45 | 0 |
| Santa Catarina | 591 | 51,1% | 118 | 1,42 | 1.260 |
| São Paulo | 4.022 | 46,6% | 529 | 1,15 | 8.154 |
| Sergipe | 107 | 29,0% | 44 | 1,91 | 197 |
| Tocantins | 52 | 15,4% | 21 | 1,32 | 139 |
Os dados abertos do SNGPC, sistema da Anvisa que registra a venda de medicamentos controlados em farmácias e drogarias privadas, mostram quantas embalagens de cada medicamento foram vendidas por estado. Em setembro de 2026, entre os nove psicofármacos analisados, os que mais venderam em número de embalagens foram quetiapina (1.854.780 embalagens), escitalopram (1.689.059 embalagens), sertralina (1.666.322 embalagens).
Por tipo de receita, 26.618.109 embalagens de todos os controlados foram vendidas com Receita de Controle Especial, 3.654.059 com Notificação de Receita B e 827.509 com Notificação de Receita A.
Limites: A unidade é a embalagem (caixa ou frasco), não a dose: uma caixa com 30 e uma com 60 comprimidos contam igual, e não dá para comparar consumo entre substâncias. Só entram farmácias e drogarias privadas (sem a dispensação do SUS), com dados declarados pelo farmacêutico e sujeitos a correção. A Anvisa não publica a série de 2022 a 2025, então não há comparação com anos anteriores. Duas linhas da base oficial foram excluídas por serem implausíveis: 512.037 caixas de quetiapina num único registro de um município de Mato Grosso do Sul e 76.013 caixas de sertralina num município da Bahia. Valores baixos em alguns estados podem refletir o registro no sistema, e não só o consumo. Vendas por mil habitantes: cálculo CliniqMais com a população do IBGE de 2026.
| Medicamento | Embalagens | Por mil hab. | Estado com mais por hab. | Estado com menos por hab. |
|---|---|---|---|---|
| Quetiapina | 1.854.780 | 8,7 | Minas Gerais (13,1) | Roraima (1,5) |
| Escitalopram | 1.689.059 | 7,9 | Rio Grande do Sul (13,7) | Amazonas (1,2) |
| Sertralina | 1.666.322 | 7,8 | Rio Grande do Sul (17,0) | Amazonas (1,5) |
| Clonazepam | 1.337.952 | 6,2 | Paraíba (11,4) | Amazonas (1,1) |
| Alprazolam | 987.281 | 4,6 | Minas Gerais (9,7) | Amazonas (0,4) |
| Zolpidem | 557.294 | 2,6 | Santa Catarina (5,6) | Amazonas (0,5) |
| Metilfenidato | 389.369 | 1,8 | Rio Grande do Sul (4,0) | Amazonas (0,4) |
| Lisdexanfetamina | 353.347 | 1,6 | Distrito Federal (4,2) | Amazonas (0,5) |
| Carbonato de lítio | 230.377 | 1,1 | Goiás (2,2) | Amazonas (0,3) |
| Tipo de receita | Embalagens |
|---|---|
| Receita de Controle Especial | 26.618.109 |
| Antimicrobiano ou agonista de GLP-1 | 11.216.063 |
| Notificação de Receita B | 3.654.059 |
| Notificação de Receita A | 827.509 |
| Notificação de Receita Especial | 600.449 |
O Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR) "entrou em funcionamento em 18 de julho de 2024", segundo a Anvisa. A cartilha da Anvisa para farmácias registra: "Desde 1º de julho de 2025, as Vigilâncias Sanitárias utilizam obrigatoriamente o SNCR para gerar as numerações das Notificações de Receita". A RDC 1.000/2025, com a redação dada pela RDC 1.028/2026, diz no art. 16: "A Anvisa disponibilizará o SNCR para a requisição de numeração para a emissão eletrônica dos receituários eletrônicos de que trata esta Resolução, bem como o respectivo registro de utilização, até 30 de setembro de 2026". E, no art. 18: "As Receitas de Controle Especial e as Receitas sujeitas à retenção emitidas sem a numeração do SNCR poderão ser aceitas por até 30 (trinta) dias após o início da disponibilização do registro de utilização desses receituários no SNCR".
As fontes da própria Anvisa divergem sobre o fim dessa transição para a Receita de Controle Especial e a receita de retenção eletrônicas. A notícia de 21/09/2026 separa a transição em duas fases, "Até 29 de outubro" e "A partir de 30 de outubro", e diz que, a partir desta, "Quando uma receita branca for emitida eletronicamente, ela deverá estar integrada ao SNCR". A cartilha para farmácias diz que "29/10 é o fim do período para emissão de RCE e RET eletrônicas sem número do SNCR". Já o documento de perguntas e respostas, publicado como "Rascunho", fala em período "de 30 de setembro a 30 de outubro de 2026" e diz: "A partir de 31 de outubro de 2026, as RCE e RET emitidas eletronicamente deverão possuir a numeração do SNCR".
Depois da primeira edição deste relatório, em 29/10/2026, a Diretoria Colegiada da Anvisa "aprovou a prorrogação, até 3 de março de 2027, do período de transição para emissão de Receitas de Controle Especial (RCE) e Receitas Sujeitas à Retenção (RET) no âmbito do Sistema Nacional de Controle de Receituários (SNCR)", segundo notícia da Anvisa do mesmo dia. Até 31/10/2026, a resolução com a mudança ainda não tinha sido publicada no Diário Oficial.
Nas primeiras semanas, a própria Anvisa registrou problemas. Em 05/10/2026: "Foi identificada uma indisponibilidade na API do SNCR". Em 09/10, a faixa de numeração de alguns estados "atingiu o limite previsto no sistema". Em 15/10, anunciou a "ampliação da quantidade de 14 para 16 dígitos na numeração de todos os receituários eletrônicos". Em 22/10: "Recebemos relatos de dificuldade na requisição de numeração para receitas de controle especial (RCE) e receitas sujeitas a retenção (RET)".
A Anvisa não publica quantos prescritores aderiram ao SNCR nem quantas receitas eletrônicas foram emitidas com o número do sistema. Verificamos o portal de dados abertos da Anvisa, as páginas do SNCR, as notícias de 2026, as perguntas e respostas e os manuais.
Limites: Este bloco cita textos oficiais da Anvisa lidos em 22/10/2026, e a notícia da prorrogação, lida em 31/10/2026; datas e orientações podem mudar depois disso. Receitas em papel continuam válidas, e a emissão eletrônica é opcional.
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Segundo a Demografia Médica no Brasil 2025, com dados de 2024, 13.581 médicos têm título de especialista em Psiquiatria, 6,39 por 100 mil habitantes.
Pelos registros por estado do estudo e pela população do IBGE de 2024 (cálculo CliniqMais), o Distrito Federal, com 16,66 por 100 mil habitantes. A menor taxa está no Pará, com 1,59.
Em setembro de 2026, o CNES registrava 3.147 CAPS habilitados pelo Ministério da Saúde, 1,47 por 100 mil habitantes.
Não. Até 22/10/2026, a Anvisa não publicava quantos prescritores aderiram nem quantas receitas eletrônicas foram emitidas com número do SNCR.
Sim. Os CSVs estão sob a licença CC BY 4.0: podem ser usados e adaptados, inclusive comercialmente, citando o CliniqMais e as fontes originais de cada tabela. O estudo Demografia Médica no Brasil 2025 tem licença que não permite reproduzir suas tabelas e mapas; aqui citamos apenas números.
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