GDS-15: como aplicar e interpretar a escala de depressão geriátrica

No idoso, fadiga, sono ruim e apetite baixo podem ser o corpo — não a depressão. A GDS-15 existe exatamente para esse problema: 15 perguntas sim/não que evitam a armadilha somática do rastreio.

O que é a GDS-15, em uma resposta direta

A GDS-15 (Geriatric Depression Scale, versão de 15 itens) é a escala de rastreio de depressão desenhada para pessoas idosas: 15 perguntas de resposta sim/não sobre a última semana, pontuação de 0 a 15, com corte 5/6 na validação brasileira (Paradela et al., 2005 — sensibilidade 81%, especificidade 71%). A versão curta deriva da GDS original de Yesavage (Sheikh & Yesavage, 1986). O formato dicotômico e o foco em sintomas não-somáticos existem de propósito: facilitar a resposta e evitar que sinais físicos comuns do envelhecimento inflem o escore.

Ficha técnica

CaracterísticaGDS-15
Itens15 (sim/não)
Pontuação0–15
Janela temporalÚltima semana
PopulaçãoPessoas com 60 anos ou mais
AplicaçãoAutoaplicada ou em entrevista (~5 min) — a leitura em voz alta é aceitável quando leitura/visão for barreira
Corte (validação BR)5/6 — sensibilidade 81%, especificidade 71%
CustoUso livre
Original (versão 15)Sheikh & Yesavage (1986), Clinical Gerontologist
Validação brasileiraParadela, Lourenço & Veras (2005), Rev Saúde Pública

Por que não usar o PHQ-9 direto no idoso?

Dá para usar — o PHQ-9 foi validado em adultos sem teto de idade. O problema é prático: itens somáticos (sono, energia, apetite, lentificação) pontuam igual quando a causa é insuficiência cardíaca, dor crônica, polifarmácia ou o próprio envelhecimento — inflando o escore sem depressão por trás. A GDS-15 contorna isso concentrando as perguntas em humor, anedonia, desesperança e retraimento ("você se sente feliz a maior parte do tempo?", "abandonou muitas das suas atividades?"). No paciente 60+, ela costuma dar um sinal mais limpo — e mais fácil de responder.

No idoso, o rastreio de depressão erra menos quando pergunta pelo ânimo — e não pelo corpo.

Como aplicar e pontuar

PontuaçãoLeitura
0–5Sem depressão sugerida pelo rastreio
6–9Sugestivo de depressão leve/moderada — investigar clinicamente
10–15Sugestivo de depressão mais grave — priorizar avaliação

Com sensibilidade de 81% e especificidade de 71% no corte 5/6 (validação brasileira), a GDS-15 é um bom abridor de investigação — não um veredito: cerca de 1 em 5 idosos deprimidos pode passar abaixo do corte, e parte dos positivos não confirmará depressão na avaliação clínica.

O que a GDS-15 não faz

Na prática do consultório

A GDS-15 entra no lugar do PHQ-9 como rastreio de humor do paciente 60+ — na primeira consulta (guia do kit de escalas) e reaplicada no acompanhamento. No CliniqMais, o gabarito invertido é aplicado automaticamente e a série entra no gráfico longitudinal (planos pagos; o gratuito inclui PHQ-9, GAD-7 e ASRS). Para conhecer o instrumento sem cadastro: calculadora pública da GDS-15.

Perguntas frequentes

A partir de que idade usar a GDS-15?

A escala foi desenvolvida para a população idosa — no Brasil, a convenção prática é 60+. Entre 55 e 60, a escolha entre GDS-15 e PHQ-9 é critério clínico.

GDS-15 de 7 confirma depressão?

Não. Está na faixa sugestiva (6–9) — abre investigação clínica: episódio depressivo? luto? hipotireoidismo? efeito de medicação? A escala levanta a questão; a consulta responde.

Posso aplicar por telefone ou teleconsulta?

O formato sim/não torna a aplicação verbal viável em teleconsulta — registre a modalidade de aplicação no prontuário.

Fontes consultadas

Conteúdo revisado em 9 de agosto de 2026 pelo responsável técnico (psiquiatra, CRM-MG 58241 · RQE 37921). Este texto não substitui avaliação clínica individualizada; escalas de rastreio não fazem diagnóstico.

Se você está em sofrimento emocional ou pensando em suicídio, procure ajuda. O CVV atende de graça, 24 horas por dia, pelo telefone 188, por chat e por e-mail. Em emergência, procure um CAPS, uma UPA ou ligue 192 (SAMU).

← Todos os artigos · Conheça os planos do CliniqMais

CliniqMais — prontuário eletrônico para psiquiatria e saúde mental no Brasil