A transcrição por IA (scribe) escuta a consulta e ajuda a redigir a evolução. Veja como funciona, o que a LGPD e a CFM 2.454/2026 exigem, e o que observar para usar com segurança.
A transcrição por IA — também chamada de "scribe" — capta o áudio da consulta e o converte em texto, que é organizado num rascunho de evolução para o médico revisar. Usar isso é legítimo e pode reduzir o tempo de digitação, desde que haja: consentimento do paciente para a gravação, anonimização dos identificadores antes do processamento, tratamento dos dados sob contrato com não-treinamento do modelo, registro do uso de IA no prontuário (Resolução CFM nº 2.454/2026, em vigor desde 26/08/2026) e revisão humana — a decisão clínica continua sendo do profissional.
O fluxo típico tem quatro etapas:
O ganho não é "a IA escrever por você", e sim tirar de você a parte mecânica — transcrever e organizar — para sobrar atenção à escuta e à decisão.
"IA que escuta a consulta" mexe com o dado mais sensível que existe: o relato clínico em saúde mental. Segurança aqui não é uma promessa genérica — são cinco condições concretas:
Gravar a consulta cria um dado pessoal sensível. O paciente precisa saber e concordar, com finalidade clara (apoiar o registro clínico). Gravar sem consentimento fere o sigilo e a LGPD. Em teleconsulta, isso se soma ao consentimento já exigido pela Resolução CFM 2.314/2022.
Identificadores diretos (nome, CPF, data de nascimento) não precisam — e não devem — ser enviados ao modelo. Um bom sistema remove esses dados antes do processamento.
O processamento deve ocorrer sob contrato empresarial, com cláusula de não-treinamento do modelo e retenção zero de dados — e não pelo uso pessoal de uma ferramenta de consumo, onde o conteúdo pode ser retido. É a diferença central que separa "usar IA com segurança" de "colar o relato num chat público" (tema que detalhamos em pode usar o ChatGPT para a evolução?).
A Resolução CFM nº 2.454/2026 organiza o uso de IA na medicina em torno de supervisão médica, transparência ao paciente, governança e gestão de riscos — e torna o registro do uso de IA como apoio à decisão um dever explícito do médico no prontuário (art. 4º da resolução).
A IA transcreve e organiza; o conteúdo, a interpretação e a conduta são do médico. Nenhum rascunho vai para o prontuário sem leitura crítica — inclusive porque transcrição automática erra, especialmente com termos técnicos e nomes de fármacos.
A pergunta certa não é "a IA é precisa?", e sim "os dados do meu paciente estão protegidos e eu reviso o que ela produz?". Precisão sem proteção e sem revisão não serve à clínica.
No CliniqMais, a transcrição acontece dentro do prontuário: o áudio da consulta apoia a redação da evolução, os identificadores do paciente são removidos antes de qualquer envio à IA, o processamento usa API empresarial com não-treinamento e retenção zero de dados, e o uso de IA fica registrado — alinhado à CFM 2.454/2026. O rascunho é sempre revisado e validado pelo médico, e os dados ficam hospedados no Brasil. Conheça o prontuário por voz e a IA clínica em saúde mental.
Sim. A gravação exige consentimento, com finalidade clara. Sem isso, há violação de sigilo e da LGPD.
Não. Ela transcreve e organiza; o diagnóstico e a conduta são decisão do médico (CFM 2.454/2026).
Por isso a revisão humana é obrigatória. O rascunho é apoio; o documento válido é o que o médico leu e validou.
Sim, somando-se ao consentimento da teleconsulta (CFM 2.314/2022) o consentimento específico de gravação.
Não substitui o raciocínio clínico — reduz a parte mecânica de transcrever e organizar, devolvendo tempo para a escuta.
Este conteúdo foi revisado em 22 de julho de 2026. As normativas citadas podem ser atualizadas — consulte sempre as fontes oficiais (CFM, Planalto) antes de decisões clínicas ou administrativas. Texto não substitui assessoria jurídica ou avaliação clínica individualizada.
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