Transcrição de consulta por IA: 7 perguntas para fazer antes de contratar

Onde o áudio é processado? Fica retido? O registro exigido pelo CFM é automático? Quanto custa DE VERDADE? Um roteiro de due diligence para escolher IA clínica — que vale inclusive contra a gente.

Resposta direta

Antes de contratar transcrição de consultas por IA, sete perguntas separam ferramenta séria de risco embalado: (1) onde e sob que contrato os dados são processados; (2) se áudio e transcrição ficam retidos e por quanto tempo; (3) como fica a informação ao paciente exigida pela CFM 2.454/2026; (4) se o registro do uso de IA no prontuário é automático; (5) se o fluxo obriga revisão humana antes de salvar; (6) o custo real — a IA está inclusa no plano ou é cobrada à parte?; (7) o que acontece com seus dados se você sair. Somos fornecedor (o CliniqMais tem transcrição por IA) — declaramos o conflito de interesse e recomendamos usar as perguntas contra a gente também.

1. Onde — e sob que contrato — os dados são processados?

Áudio de consulta é dado de saúde: sensível sob a LGPD (art. 11). As perguntas concretas ao fornecedor: os dados trafegam para fora do Brasil? Há contrato com o provedor de IA garantindo não-treinamento com seus dados? Há cláusula de retenção zero no processamento? Resposta vaga aqui encerra a conversa. No CliniqMais: o processamento de IA usa API empresarial com cláusula de não-treinamento e Zero Data Retention, e dados identificados do paciente (nome completo, CPF, data de nascimento) não são enviados ao provedor de IA — a política está descrita nas nossas páginas de LGPD.

2. O áudio fica retido? Por quanto tempo?

Transcrição honesta não precisa guardar áudio para sempre. Pergunte: o áudio é descartado após transcrever? A transcrição bruta fica onde? Quem acessa? O que vai para o prontuário deve ser o registro clínico revisado — não um arquivo de áudio perpétuo esperando vazamento.

3. Como fica a informação ao paciente (CFM 2.454)?

A Resolução CFM 2.454/2026 exige informar o paciente sobre o uso de IA e respeitar sua recusa. Pergunte ao fornecedor: o sistema ajuda a documentar essa informação? Existe fluxo para o paciente que recusa (a consulta funciona sem IA)? Ferramenta que ignora esse fluxo joga o ônus regulatório inteiro em você.

4. O registro no prontuário é automático?

O Art. 4º, V da mesma resolução estabelece o dever de registrar no prontuário o uso de IA como apoio à decisão. Se o registro depende de você lembrar de escrever uma linha em toda consulta, ele vai falhar na quarta-feira cheia. Pergunte: o sistema grava automaticamente qual recurso de IA foi usado e quando? (Escrevemos um guia prático do registro com modelos de texto.)

5. O fluxo obriga revisão humana?

IA transcreve e rascunha; quem assina é você — e a resolução veda delegar à IA comunicação de diagnóstico ou decisão terapêutica sem mediação humana. A pergunta técnica: o texto gerado entra direto na evolução definitiva, ou o sistema exige sua revisão antes de salvar? Fluxos que "já salvam" são conveniência hoje e passivo amanhã — inclusive porque IA erra (nome de medicamento, negação perdida, fala do acompanhante atribuída ao paciente). No CliniqMais: nada gerado por IA integra a evolução definitiva sem revisão do médico.

6. Quanto custa DE VERDADE?

O preço da IA clínica no Brasil varia mais pelo modelo de cobrança do que pela tecnologia. Fatos públicos, com data de coleta (09/08/2026), das páginas oficiais dos fornecedores:

FornecedorComo cobra a IA de transcrição/anotações
Doctoralia ProNoa Notes: R$ 199/mês à parte, somado ao plano (planos de R$ 429 a R$ 679/mês no anual)
GestãoDSIA de transcrição disponível apenas no plano de topo (Performance); preços não públicos (sob demonstração)
CliniqMaisIA clínica (incl. transcrição por voz) inclusa no plano Profissional, R$ 89/mês; teste de 14 dias no plano gratuito

Conflito de interesse declarado: esta tabela é mantida por um dos fornecedores listados (nós). Reportamos o que cada página oficial publica, com data — confira as fontes antes de decidir, e desconfie igualmente de quem esconde preço e de quem se compara sem declarar interesse.

7. O que acontece com seus dados se você sair?

A pergunta que ninguém faz na contratação e todo mundo faz na saída: exportação completa (prontuários, transcrições, documentos) em formato aberto, sem custo e sem prazo-armadilha? Portabilidade é direito do titular na LGPD — e o fornecedor que dificulta a saída está te contando quem ele é. No CliniqMais: exportação completa em CSV/JSON em todos os planos, inclusive o gratuito.

A pergunta 5 é a que mais separa: quem trata a revisão humana como atrito a eliminar está vendendo velocidade ao custo do seu CRM.

Perguntas frequentes

Transcrição por IA é permitida pelo CFM?

Sim — a CFM 2.454/2026 não proíbe IA generativa (o Anexo I cita expressamente o auxílio na redação de documentos clínicos como aplicação); ela condiciona: supervisão humana, informação ao paciente, registro do uso e responsabilidade integral do médico.

Preciso do consentimento do paciente para gravar a consulta?

O dever da resolução é informar sobre o uso de IA e respeitar recusa. Documentar a informação (e a recusa, quando houver) no prontuário é a prática prudente. Para o funcionamento da transcrição em si, veja como funciona e é seguro?.

E se a IA errar a transcrição?

Por isso a revisão obrigatória: o registro definitivo é o que VOCÊ valida. Erros de transcrição não revisados são erro de prontuário do médico — a responsabilidade não se transfere para a ferramenta (Art. 7º).

Fontes consultadas

Conteúdo revisado em 9 de agosto de 2026 pelo responsável técnico (psiquiatra, CRM-MG 58241 · RQE 37921). Preços de terceiros são os publicados nas páginas oficiais na data de coleta indicada e podem mudar — confira na fonte. Este texto não substitui assessoria jurídica.

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