A pergunta não é SE a IA erra — é ONDE ela erra em texto clínico: doses, negações, atribuição de fala e lacunas preenchidas com plausibilidade. Um checklist de revisão que cabe entre duas consultas.
"Alucinação" é o nome do erro em que a IA produz conteúdo plausível, fluente — e falso. Em texto clínico, os modos de falha são previsíveis: medicamento ou dose trocados por similaridade, negação perdida ("nega ideação" que vira "ideação"), fala do acompanhante atribuída ao paciente, lacunas preenchidas com o que "costuma" acontecer e temporalidade embaralhada. A defesa não é reler o texto bonito — é comparar contra a fonte (o que foi dito, o que está prescrito) num checklist de 5 pontos que leva cerca de um minuto. E o pano de fundo regulatório é claro: pela CFM 2.454/2026, a responsabilidade pelo registro é integralmente do médico (Art. 7º) — o erro não revisado é seu, não da ferramenta.
O texto gerado é gramaticalmente impecável e clinicamente verossímil — os dois atributos que fazem o olho deslizar. O perigo não está no erro grosseiro (esse você pega); está no erro plausível: a dose que existe mas não é a do seu paciente, o sintoma típico do quadro que ele não relatou hoje. Releitura superficial confirma fluência, não veracidade.
Revisar não é reler. Reler valida o estilo; revisar compara com a fonte.
| Modo de falha | Exemplo típico | Onde conferir |
|---|---|---|
| Medicação/dose por similaridade | Nomes parecidos trocados; "50 mg" virando "150 mg" | Contra a prescrição real do paciente |
| Negação perdida ou invertida | "Nega ideação suicida" transcrito sem o "nega" | Toda frase de risco e todo "nega/sem/ausente" |
| Atribuição de fala | Relato da mãe registrado como fala do paciente | Consultas com acompanhante |
| Lacuna preenchida com plausibilidade | Detalhe "típico do quadro" que não foi dito hoje | Tudo que você não lembra de ter ouvido |
| Temporalidade embaralhada | "Há 3 semanas" virando "há 3 meses"; ordem de eventos trocada | Datas, durações e sequência da história |
Um hábito que multiplica a segurança: revise imediatamente após a consulta, com a memória fresca — o mesmo texto revisado no fim do dia perde o teste da memória (item 4).
A CFM 2.454/2026 permite IA generativa no apoio à documentação (o Anexo I cita expressamente o auxílio na redação de documentos clínicos), mas veda delegar à IA a comunicação de diagnóstico, prognóstico ou decisão terapêutica sem mediação humana (Art. 5º, §2º) e mantém o médico integralmente responsável (Art. 7º). Traduzindo para o fluxo: a IA pode escrever o rascunho; quem transforma rascunho em registro é a sua revisão — e o uso deve ficar registrado no prontuário.
Ferramenta séria torna a revisão parte do fluxo, não um heroísmo individual. No CliniqMais, o texto gerado por IA não entra na evolução definitiva sem a revisão do médico — o rascunho fica editável até você validar — e o uso de IA é registrado automaticamente. Somos fornecedor de IA clínica (conflito declarado); é exatamente por isso que o critério "o fluxo obriga revisão humana?" está no nosso roteiro de 7 perguntas antes de contratar — use-o contra qualquer fornecedor, nós incluídos.
Sim — são deveres distintos: revisar (supervisão humana) e registrar o uso no prontuário (Art. 4º, V). Uma linha resolve o registro.
Toda IA generativa pode errar — inclusive a nossa. O que muda entre ferramentas é o desenho do fluxo (revisão obrigatória, rascunho editável, registro automático) e o contexto que a IA recebe. A revisão do médico é insubstituível por definição regulatória e por bom senso clínico.
A conta prática costuma fechar: revisar e corrigir um rascunho estruturado é mais rápido do que redigir do zero — desde que a revisão seja comparativa (o checklist acima), não uma releitura de fluência.
Conteúdo revisado em 9 de agosto de 2026 pelo responsável técnico (psiquiatra, CRM-MG 58241 · RQE 37921). Os exemplos de erro são ilustrativos dos modos de falha conhecidos de modelos generativos — não estatísticas de nenhuma ferramenta específica. Este texto não substitui assessoria jurídica.
Se você está em sofrimento emocional ou pensando em suicídio, procure ajuda. O CVV atende de graça, 24 horas por dia, pelo telefone 188, por chat e por e-mail. Em emergência, procure um CAPS, uma UPA ou ligue 192 (SAMU).
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