Este guia não vai te dar um número — desconfie de quem dá. Vai te dar o método: o piso que sai da sua planilha, os três fatores que definem o quanto acima dele, e os erros que corroem o valor.
Não existe "preço certo" de consulta em saúde mental publicável num blog — o valor depende dos SEUS custos, da SUA formação, da SUA cidade e do SEU posicionamento. O que existe é método: (1) calcule o piso — o valor abaixo do qual você atende no prejuízo; (2) posicione-se acima do piso pelos três fatores que realmente diferenciam; (3) crie uma política de reajuste e de exceções antes de precisar dela. Qualquer artigo que te dá uma tabela de valores está chutando — e o chute vira âncora na sua cabeça.
Some seus custos fixos mensais (sala, sistemas, contador, conselho, seguro, marketing, pró-labore mínimo que você precisa para viver) e os variáveis por atendimento. Divida pela sua capacidade realista de consultas/mês — não a agenda cheia teórica, mas a ocupação que você de fato sustenta, descontando faltas, feriados e as suas férias (que existem, mesmo quando você finge que não).
Piso = (custos fixos do mês ÷ consultas realistas do mês) + custo variável por consulta. Abaixo disso não é "preço acessível" — é você pagando para trabalhar.
Duas armadilhas nessa conta: esquecer o próprio pró-labore (seu tempo é o maior custo do consultório) e usar a capacidade máxima como divisor (agenda 100% ocupada o ano inteiro não existe — quem precifica assim descobre o prejuízo em janeiro).
No convênio, o valor por consulta é definido pela operadora e a variável sob seu controle é volume (e glosa); no particular, você define o preço e carrega o custo de atrair pacientes. Não há resposta universal: há a conta — o piso do Passo 1 diz se o valor da operadora cabe no seu custo, e a sua capacidade diz quanto volume você atende sem degradar o atendimento (e a sua saúde — burnout é custo também).
Levantamentos existem, mas envelhecem rápido, misturam contextos incomparáveis e viram âncora ruim. A ordem certa é piso → posicionamento → teste — o "mercado" entra como um dos sinais, nunca como o ponto de partida.
Cobrar abaixo do SEU piso, nunca. Posicionar-se com margem menor enquanto constrói reputação pode fazer sentido — como decisão consciente e temporária, com data para revisar.
Seu tempo clínico vale o mesmo nas duas. O que muda são custos (sala vs plataforma) — refaça a conta do piso por modalidade e decida com número, não com intuição.
Conteúdo revisado em 15 de agosto de 2026 pelo responsável técnico (psiquiatra, CRM-MG 58241 · RQE 37921). Este texto não substitui orientação contábil ou de gestão individualizada.
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