GAD-7: como aplicar, pontuar e interpretar na prática clínica
Sete itens, dois minutos, e a escala de ansiedade mais usada em atenção primária e psiquiatria. O que o GAD-7 rastreia bem, o que ele perde, e como usar a curva — não o número isolado.
O que é o GAD-7, em uma resposta direta
O GAD-7 (Generalized Anxiety Disorder-7) é um questionário autoaplicado de 7 itens que rastreia transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e mede a gravidade de sintomas ansiosos nas últimas 2 semanas. Cada item vale de 0 a 3; o total vai de 0 a 21. Foi desenvolvido por Spitzer, Kroenke, Williams e Löwe (2006) e tem estudo psicométrico brasileiro (Moreno et al., 2016). É gratuito para uso clínico e leva cerca de 2 minutos.
Ficha técnica
Característica
GAD-7
Itens
7 (0–3 cada)
Pontuação total
0–21
Janela temporal
Últimas 2 semanas
Aplicação
Autoaplicada (~2 minutos)
Rastreia
Transtorno de ansiedade generalizada + gravidade de sintomas ansiosos
Custo
Uso livre na prática clínica, sem licença paga
Validação original
Spitzer et al. (2006), Arch Intern Med
Estudo brasileiro
Moreno et al. (2016), Temas em Psicologia — alfa de Cronbach 0,916
Como aplicar no consultório
As mesmas três vias do PHQ-9 (as escalas costumam andar juntas):
Pré-consulta: paciente responde antes de entrar; a consulta começa com o escore pronto e o tempo clínico vai para os itens positivos.
Na consulta: autoaplicada, sem reformular as perguntas em voz alta — o instrumento foi validado como autorrelato.
Entre consultas: reaplicação periódica para acompanhar a resposta ao tratamento pela curva.
Detalhe prático que muda a interpretação: aplicar depois de uma conversa longa sobre os sintomas pode inflar ou deflacionar respostas. Padronize o momento da aplicação — sempre antes da consulta, por exemplo — para que as medidas sejam comparáveis entre si.
Como pontuar
Frequência de cada sintoma nas últimas 2 semanas: nenhuma vez (0), vários dias (1), mais da metade dos dias (2), quase todos os dias (3). Faixas do estudo original:
Pontuação
Interpretação
0–4
Ansiedade mínima
5–9
Ansiedade leve
10–14
Ansiedade moderada
15–21
Ansiedade grave
O ponto de corte para rastreamento de TAG é ≥ 10: sensibilidade de 89% e especificidade de 82% no estudo original em atenção primária.
GAD-7 de 11 não é "TAG confirmado" — é um sinal de que a ansiedade daquele paciente merece investigação estruturada.
O que o GAD-7 rastreia além do TAG (e com que limite)
Embora tenha sido desenhado para TAG, o GAD-7 apresenta desempenho operacional moderadamente bom também para transtorno de pânico, ansiedade social e TEPT — funciona como um rastreador geral de "carga ansiosa". O limite: escore alto não diz qual transtorno ansioso está presente. A diferenciação (pânico? fobia social? ansiedade generalizada? ansiedade secundária a uso de substância ou condição médica?) é clínica.
O que o GAD-7 não faz
Não diagnostica — o diagnóstico de qualquer transtorno de ansiedade é clínico.
Não distingue ansiedade primária de secundária (hipertireoidismo, cafeína, estimulantes, abstinência).
Não avalia risco — diferente do PHQ-9, não há item de ideação; em quadros mistos ansioso-depressivos, aplique os dois (guia do PHQ-9 aqui).
Acompanhamento longitudinal na prática
Assim como na depressão, o uso mais valioso do GAD-7 é a curva ao longo do tratamento: a resposta a um ISRS ou à psicoterapia aparece como tendência, não como um número isolado. Num prontuário com escalas integradas, o paciente responde pelo portal e o resultado cai direto no gráfico longitudinal — é assim que o CliniqMais faz, com o GAD-7 incluído no plano gratuito.
Sim — é prática comum, porque depressão e ansiedade coexistem com frequência. Juntos, levam menos de 5 minutos.
Qual a diferença entre GAD-7 e GAD-2?
O GAD-2 usa apenas os 2 primeiros itens como ultrarrastreio; positivo (≥3), aplica-se o GAD-7 completo. Em consultório de saúde mental, o GAD-7 direto costuma ser mais útil.
O GAD-7 tem validação brasileira?
Há estudo psicométrico da versão em português brasileiro (Moreno et al., 2016) com boa consistência interna (alfa de Cronbach 0,916) e confirmação da estrutura unifatorial original.
Conteúdo revisado em 9 de agosto de 2026 pelo responsável técnico (psiquiatra, CRM-MG 58241 · RQE 37921). Este texto não substitui avaliação clínica individualizada; escalas de rastreio não fazem diagnóstico.