As três escalas de depressão mais citadas não competem — respondem a perguntas diferentes. E uma delas é paga, o que muda a decisão para o consultório privado. Comparação factual, sem torcida.
As três medem sintomas depressivos, mas em registros diferentes: o PHQ-9 é autoaplicado, gratuito, de 9 itens, ideal para rastreio e monitoramento seriado no consultório; o BDI-II é autoaplicado, de 21 itens, proprietário (licenciado pela Pearson — exige compra dos formulários), tradicional em psicologia clínica e pesquisa; a HAM-D é heteroaplicada (o clínico pontua em entrevista), de domínio público, padrão histórico de ensaios clínicos de antidepressivos. Para a rotina de consultório com reaplicação frequente, o PHQ-9 costuma ser a escolha de melhor custo-benefício — e é por isso que ele é a escala de depressão da nossa plataforma.
| PHQ-9 | BDI-II | HAM-D (17 itens) | |
|---|---|---|---|
| Quem responde | Paciente | Paciente | Clínico (entrevista) |
| Itens | 9 | 21 | 17 (versão clássica) |
| Janela | Últimas 2 semanas | Últimas 2 semanas | Última semana |
| Tempo | 2–3 min | 5–10 min | Integrada à entrevista (bem mais longa) |
| Custo | Uso livre | Pago — formulários licenciados (Pearson) | Domínio público |
| Origem | Kroenke et al., 2001 | Beck et al., 1996 (2ª ed.) | Hamilton, 1960 |
| Base conceitual | Espelha os 9 critérios do DSM | Ênfase cognitiva (crenças, autocrítica) | Ênfase somática e comportamental |
| Uso típico | Rastreio + monitoramento em consultório e atenção primária | Psicologia clínica e pesquisa | Ensaios clínicos; avaliação aprofundada |
O detalhe operacional que mais muda a decisão no consultório privado raramente aparece nos comparativos: o BDI-II é um instrumento comercial. Os formulários são licenciados pela Pearson e cada aplicação formalmente exige material adquirido — reproduzir a escala sem licença é violação de direitos autorais. PHQ-9 e HAM-D, por outro lado, são de uso livre. Para quem reaplica escalas todo mês (a prática do cuidado baseado em medidas), essa diferença é estrutural, não burocrática.
Não é que uma escala seja "melhor" — é que custo por aplicação, quem aplica e o que cada uma enfatiza mudam a escolha conforme o cenário.
Rastreio na primeira consulta, reaplicação seriada no acompanhamento, comparabilidade com atenção primária e literatura recente. Curto o bastante para o paciente responder no portal antes da consulta. Corte ≥10 e faixas de gravidade bem estabelecidos (guia completo do PHQ-9).
Comum em serviços de psicologia e protocolos de pesquisa que já adquiriram o material e valorizam a ênfase cognitiva do instrumento. Se a sua clínica já usa legalmente, não há motivo para abandonar — só não faz sentido começar por ela num consultório que precisa de reaplicação frequente e gratuita.
Heteroaplicada, exige treinamento e tempo de entrevista — por isso é rara na rotina privada, mas é a régua histórica dos estudos de antidepressivos (os conceitos de "resposta" e "remissão" de muitos ensaios são definidos sobre ela). Vale conhecer para ler a literatura criticamente, mesmo que você não a aplique.
O ecossistema é maior — MADRS (heteroaplicada, comum em ensaios), CES-D, escala de Zung, entre outras. O trio deste comparativo cobre os três arquétipos que importam para a decisão: autoaplicada gratuita, autoaplicada licenciada e heteroaplicada de pesquisa. Definido o arquétipo que o seu contexto pede, a escolha específica fica simples.
Adotamos o PHQ-9 como escala de depressão da plataforma pelos três critérios operacionais: uso livre (sem custo por aplicação), validação brasileira e brevidade compatível com reaplicação seriada — o paciente responde pelo portal e a curva aparece no prontuário. O PHQ-9 está incluído no plano gratuito, junto com GAD-7 e ASRS; o catálogo completo de escalas está no pilar de escalas psicométricas.
Não — o instrumento é protegido por direitos autorais e comercializado pela Pearson. Reproduções não licenciadas violam copyright, mesmo em uso clínico.
Medem o mesmo construto com ênfases diferentes (o BDI-II carrega mais itens cognitivos) e escalas de pontuação distintas — os números não são intercambiáveis. Escolha um instrumento e mantenha-o ao longo do acompanhamento do mesmo paciente.
Heteroaplicação reduz alguns vieses de autorrelato e introduz outros (variabilidade entre examinadores, tempo). Em monitoramento de rotina, a padronização e a frequência da medida costumam pesar mais do que quem pontua.
Conteúdo revisado em 9 de agosto de 2026 pelo responsável técnico (psiquiatra, CRM-MG 58241 · RQE 37921). Comparação estritamente operacional — nenhum juízo sobre a qualidade psicométrica relativa dos instrumentos. Este texto não substitui avaliação clínica individualizada.
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