Diferente do PHQ-9 e do MDQ, a YMRS não é para o paciente responder: é o clínico quem pontua, com base na entrevista e nas últimas 48 horas. E quatro dos onze itens valem o dobro — de propósito.
A YMRS (Young Mania Rating Scale) é uma escala heteroaplicada — pontuada pelo clínico, não pelo paciente — que mede a gravidade de sintomas maníacos com base na entrevista clínica e no comportamento das últimas 48 horas (Young et al., 1978). São 11 itens e a pontuação vai de 0 a 60. Quatro itens têm peso duplo (0–8): irritabilidade, fala, conteúdo do pensamento e comportamento disruptivo-agressivo. Tem adaptação transcultural e validação clínica brasileira (Vilela et al., 2005).
| Característica | YMRS |
|---|---|
| Itens | 11 (7 itens 0–4 · 4 itens 0–8) |
| Pontuação total | 0–60 |
| Janela temporal | Últimas 48 horas (relato subjetivo + observação na entrevista) |
| Aplicação | Heteroaplicada pelo clínico (15–30 min junto com a entrevista) |
| Mede | Gravidade de sintomas maníacos ATUAIS (não é rastreio de história) |
| Original | Young, Biggs, Ziegler & Meyer (1978), Br J Psychiatry |
| Validação brasileira | Vilela et al. (2005), Rev Bras Psiquiatr |
Irritabilidade, fala, conteúdo do pensamento e comportamento disruptivo-agressivo são pontuados de 0 a 8 — o dobro dos demais. A razão, declarada pelos autores originais: compensar a má cooperação do paciente gravemente maníaco. Quando a entrevista fica impossível, são justamente esses quatro domínios que o examinador ainda consegue avaliar por observação direta. Não é um detalhe de formulário — é o desenho do instrumento para funcionar no paciente mais grave.
A YMRS foi feita para o cenário em que o paciente não colabora: quanto pior a mania, mais a pontuação depende do que o examinador observa, e menos do que o paciente relata.
O artigo original não define faixas de gravidade universais; as bandas abaixo são a convenção operacional que usamos na calculadora, útil para comunicação e acompanhamento — não critério diagnóstico:
| Pontuação | Leitura operacional |
|---|---|
| 0–12 | Mania mínima / sem mania |
| 13–25 | Mania leve |
| 26–36 | Mania moderada |
| >36 | Mania grave |
O uso mais defensável do número é intraindividual: o mesmo examinador, o mesmo paciente, ao longo do tratamento — queda consistente do escore é resposta documentada; platô ou subida sustenta mudança de conduta.
| YMRS | MDQ | |
|---|---|---|
| Pergunta que responde | "Quão grave está a mania AGORA?" | "Já houve mania/hipomania NA VIDA?" |
| Quem responde | Clínico (heteroaplicada) | Paciente (autoaplicado) |
| Uso típico | Gravidade e resposta ao tratamento no episódio | Rastreio antes de tratar depressão como unipolar |
Guia completo do MDQ: MDQ — como aplicar e interpretar.
Por ser heteroaplicada, a YMRS vive dentro da consulta — e o custo real é transcrever item a item para o prontuário. No CliniqMais, o clínico pontua os 11 itens na própria tela da consulta (com o peso duplo dos 4 itens calculado automaticamente) e o total entra na série longitudinal do paciente (nos planos pagos; o gratuito inclui PHQ-9, GAD-7 e ASRS). As âncoras completas de cada item estão na calculadora pública da YMRS — útil como referência rápida de consulta.
Não — ela mede gravidade de sintomas maníacos atuais. Para rastreio de história de mania/hipomania, use o MDQ; o diagnóstico de transtorno bipolar é clínico.
A base do instrumento é entrevista + observação, o que a videoconsulta preserva em boa parte (fala, humor, conteúdo do pensamento). Itens que dependem de observação física ampla (atividade motora, aparência) exigem mais cautela do examinador — registre a modalidade da avaliação no prontuário.
Integrada à entrevista clínica, a pontuação em si leva poucos minutos — o insumo é a própria consulta.
Conteúdo revisado em 9 de agosto de 2026 pelo responsável técnico (psiquiatra, CRM-MG 58241 · RQE 37921). Este texto não substitui avaliação clínica individualizada.
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