PHQ-9: como aplicar, pontuar e interpretar na prática clínica

O PHQ-9 leva menos de 3 minutos e é a escala de depressão mais usada no mundo — mas a pontuação isolada engana. Guia prático: aplicação, faixas de gravidade, item 9 e acompanhamento longitudinal.

O que é o PHQ-9, em uma resposta direta

O PHQ-9 (Patient Health Questionnaire-9) é um questionário autoaplicado de 9 itens que rastreia e mede a gravidade de sintomas depressivos nas últimas 2 semanas. Cada item vale de 0 a 3, o total vai de 0 a 27, e os itens correspondem aos 9 critérios sintomáticos de episódio depressivo maior do DSM. Foi validado por Kroenke, Spitzer e Williams em 2001 e tem validação brasileira. É gratuito para uso clínico e leva de 2 a 3 minutos.

Ficha técnica

CaracterísticaPHQ-9
Itens9 (0–3 cada)
Pontuação total0–27
Janela temporalÚltimas 2 semanas
AplicaçãoAutoaplicada (2–3 minutos)
RastreiaEpisódio depressivo maior + gravidade de sintomas
CustoUso livre na prática clínica, sem licença paga
Validação originalKroenke, Spitzer & Williams (2001), J Gen Intern Med
Validação brasileiraOsório et al. (2009); Santos et al. (2013), Cad. Saúde Pública

Como aplicar no consultório

Na prática, três formas funcionam bem:

1. Antes da consulta (o ideal)

Envie a escala para o paciente responder na sala de espera ou em casa, no dia anterior. Você começa a consulta já com o escore em mãos e usa o tempo clínico para investigar os itens positivos — não para somar pontos.

2. Durante a consulta

Entregue o questionário impresso ou digital e deixe o paciente responder sozinho. Evite ler as perguntas em voz alta "traduzindo" — o instrumento foi validado como autoaplicado, e reformular os itens muda as propriedades da escala.

3. Remotamente, entre consultas

Em acompanhamento longitudinal (o uso mais valioso), o paciente responde periodicamente — por exemplo, a cada 2 a 4 semanas — e você compara a curva, não pontos isolados.

O valor do PHQ-9 não está em um número, e sim na curva: a mesma pontuação 12 significa coisas diferentes se o paciente vinha de 18 ou de 6.

Como pontuar

Cada item é pontuado pela frequência do sintoma nas últimas 2 semanas: nenhuma vez (0), vários dias (1), mais da metade dos dias (2), quase todos os dias (3). Soma-se tudo. As faixas de gravidade do estudo original:

PontuaçãoInterpretação
0–4Mínima / sem depressão
5–9Depressão leve
10–14Depressão moderada
15–19Depressão moderadamente grave
20–27Depressão grave

Para rastreamento, o ponto de corte clássico é ≥ 10: no estudo original, sensibilidade de 88% e especificidade de 88% para depressão maior. No estudo brasileiro de base populacional de Santos et al. (2013), em Pelotas/RS, o corte > 9 apresentou sensibilidade de 77,5% e especificidade de 86,7% — ou seja, o desempenho no Brasil é bom, mas um pouco menor que o do estudo original, o que reforça que o escore não substitui a avaliação clínica.

O item 9 merece atenção separada

O item 9 pergunta sobre pensamentos de morte ou de se ferir. Qualquer resposta diferente de zero exige investigação clínica direta de risco na mesma consulta — plano, meios, tentativas prévias, fatores de proteção. O escore total pode ser baixo e o item 9 estar positivo; nesse caso, o número total não manda na conduta. Se você orienta pacientes fora do horário de atendimento, o CVV atende no 188, 24 horas.

O que o PHQ-9 não faz

Acompanhamento longitudinal na prática

A recomendação prática mais útil: trate o PHQ-9 como sinal vital do tratamento, reaplicando em intervalos regulares e observando a trajetória — é a lógica do cuidado baseado em medidas. Fazer isso com papel e planilha custa tempo; num prontuário com escalas integradas, o paciente responde pelo portal e o resultado entra automaticamente no gráfico longitudinal do prontuário. É assim que funciona no CliniqMais, que inclui o PHQ-9 com pontuação automática e curva por paciente — inclusive no plano gratuito.

Quer testar a escala agora, sem cadastro? Use a calculadora pública de PHQ-9 — pontuação e faixa de gravidade na hora.

Perguntas frequentes

Com que frequência reaplicar o PHQ-9?

Não há regra única. Na prática do acompanhamento baseado em medidas, intervalos de 2 a 4 semanas durante ajuste de tratamento e intervalos maiores na manutenção são comuns. O essencial é comparar com as aplicações anteriores.

O PHQ-9 serve para adolescentes?

Existe versão modificada para adolescentes (PHQ-A). O PHQ-9 padrão foi validado em adultos — em menores, prefira instrumentos adequados à faixa etária.

Posso usar o PHQ-9 de graça?

Sim. O PHQ-9 é de uso livre na prática clínica, sem necessidade de licença paga.

PHQ-9 alto confirma depressão?

Não. Confirma que há sintomas relevantes que merecem avaliação clínica completa. O diagnóstico é clínico.

Fontes consultadas

Conteúdo revisado em 9 de agosto de 2026 pelo responsável técnico (psiquiatra, CRM-MG 58241 · RQE 37921). Este texto não substitui avaliação clínica individualizada; escalas de rastreio não fazem diagnóstico.

← Todos os artigos · Conheça os planos do CliniqMais

CliniqMais — prontuário eletrônico para psiquiatria e saúde mental no Brasil