Reconstruir a infância, mapear o prejuízo atual, varrer o diferencial e registrar de um jeito que sustente a conduta. O roteiro da primeira consulta — e o que precisa estar no prontuário ao final dela.
Uma primeira avaliação de TDAH no adulto se apoia em quatro movimentos: (1) reconstruir a trajetória desde a infância — o DSM-5 exige vários sintomas antes dos 12 anos; (2) mapear o prejuízo atual em pelo menos dois ambientes, com exemplos concretos; (3) varrer ativamente o diagnóstico diferencial e as comorbidades; e (4) registrar tudo de forma que sustente a conduta. Escalas como o ASRS ajudam a organizar e a acompanhar — mas não fecham diagnóstico. Para adultos, o critério do DSM-5 pede 5 sintomas (contra 6 em crianças) em pelo menos um dos domínios, por no mínimo 6 meses, com prejuízo funcional claro.
É a parte mais negligenciada e a mais decisiva. Perguntas que produzem material de verdade:
Quando possível, colete informação colateral: pais, irmãos, cônjuge. Documentos escolares antigos são ouro. Registre a fonte de cada informação — "relato materno" e "impressão do próprio paciente" têm pesos diferentes e o prontuário deve deixar isso claro.
Sintoma sem prejuízo não é transtorno. Colha exemplos concretos, datados e de domínios diferentes:
"Tenho dificuldade de concentração" não sustenta um diagnóstico. "Perdi três prazos no último trimestre e refiz o mesmo relatório quatro vezes porque pulava etapas" sustenta — e ainda dá parâmetro para medir resposta ao tratamento depois.
Vale a checagem ativa, mesmo quando o quadro "parece óbvio":
Ao final da primeira consulta, o prontuário deveria permitir que outro clínico entendesse seu raciocínio. O conjunto mínimo:
Quando a avaliação se estende por mais de um encontro (o mais comum), esse registro estruturado é o que evita recomeçar do zero. No CliniqMais, escalas aplicadas e evoluções ficam na linha do tempo do paciente, com a série comparável consulta a consulta.
Às vezes, quando a história é clara e o diferencial se resolve. Mas não há problema — e frequentemente há ganho — em concluir a avaliação em mais de um encontro, com coleta de informação colateral no intervalo. Registre que a avaliação está em curso e o que falta.
Não é requisito para o diagnóstico, que é clínico. A avaliação neuropsicológica é útil em casos específicos — dúvida diagnóstica persistente, suspeita de comprometimento cognitivo, necessidade de perfil funcional detalhado — e não substitui a história clínica.
Acolha sem descartar: a suspeita própria costuma ter fundamento, e muitos adultos passaram anos sem reconhecimento. Ao mesmo tempo, faça a avaliação completa — inclusive o diferencial. Explicar por que a avaliação é mais ampla do que uma lista de sintomas costuma ser bem recebido.
Conteúdo dirigido a profissionais de saúde, revisado em 23 de agosto de 2026 pelo responsável técnico (psiquiatra, CRM-MG 58241 · RQE 37921). Roteiro de organização clínica — não substitui julgamento individualizado nem as diretrizes completas.
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