Prontuário eletrônico gratuito: 8 coisas para checar antes de depender de um

Prontuário gratuito pode valer muito a pena — desde que você saiba o que está aceitando. Um checklist honesto de limites, exportação, guarda de 20 anos, assinatura e modelo de negócio.

Resposta direta

Prontuário eletrônico gratuito vale a pena quando você conhece as regras do jogo: quais são os limites de uso, o que acontece ao atingi-los, se os seus dados saem em formato aberto, quem paga a conta do serviço e se o plano grátis é permanente ou um teste disfarçado. O prontuário é um documento que você tem obrigação legal de guardar por, no mínimo, 20 anos a contar do último registro (Lei 13.787/2018; para o prontuário arquivado eletronicamente, a Resolução CFM 1.821/2007 fala em guarda permanente) — então a pergunta certa não é "é grátis?", e sim "consigo sair com tudo o que é meu, quando eu quiser?".

Abaixo, os oito pontos que eu checaria antes de colocar pacientes reais em qualquer sistema gratuito — incluindo o nosso. Sim, o CliniqMais tem um plano gratuito, e por isso o conflito de interesse está declarado no fim do texto.

Por que "grátis" exige mais cuidado, não menos

Um software pago tem um contrato explícito: você paga, ele entrega. Num plano gratuito, o combinado costuma estar nas entrelinhas — nos limites, nas condições de upgrade e no modelo de negócio de quem oferece. Nada disso é errado; só precisa estar claro antes de o prontuário do seu consultório viver lá dentro.

Vejo isso no consultório e nas conversas com colegas: a frustração raramente vem do limite em si, e sim da surpresa. Quem sabia que o teto era de dez pacientes planejou; quem descobriu no décimo primeiro, não.

O checklist

#O que checarResposta que você quer ouvir
1Limites de uso (pacientes, registros, profissionais)Números publicados, sem letra miúda, e definidos como teto de uso — não de tempo
2O que acontece ao estourar o limiteNada é apagado; apenas a criação de registros novos é bloqueada, e o que já existe segue acessível e exportável
3Exportação em formato aberto (CSV/JSON/PDF)Disponível pelo próprio painel, a qualquer momento, inclusive no plano grátis
4Guarda pelo prazo legalO fornecedor deixa claro que a guarda é sua responsabilidade — e te dá os meios para cumpri-la
5Assinatura digitalIntegração com certificado ICP-Brasil para atestados e receitas de controle especial; o certificado é seu e contratado à parte
6LGPD e servidorOnde os dados ficam, quem é operador, como o sigilo é protegido tecnicamente
7SuporteCanal e prazo de resposta informados, mesmo para quem não paga
8Permanência e modelo de negócioO plano gratuito não expira, e está claro de onde vem a receita da empresa

1 e 2. Limites e o dia em que você bate neles

Limite de uso é legítimo; o que importa é a transparência. Pergunte quantos pacientes e quantos registros cabem, se o teto é mensal ou acumulado, e o que acontece no dia seguinte ao limite. A resposta que protege o paciente é simples: nada some. Você pode arquivar, exportar ou migrar de plano — mas nunca perder acesso ao que já escreveu.

3. Exportação: o teste mais importante

Antes de depender de qualquer sistema, exporte um paciente de teste e abra o arquivo. Se o formato for aberto (CSV, JSON, PDF), você consegue levar os dados para outro sistema ou guardá-los em arquivo próprio. A LGPD dá ao titular o direito de portabilidade "a outro fornecedor de serviço ou produto, mediante requisição expressa" (art. 18, V) — mas, na prática, quem precisa da exportação todo dia é você, o controlador dos dados do seu consultório. Se a empresa fechar ou a internet cair, esse arquivo é o seu plano B — tratei do cenário em e se a empresa do prontuário fechar?.

4. Guarda de 20 anos (e a divergência para psicólogos)

A Lei 13.787/2018 fixa o prazo mínimo de 20 anos, a partir do último registro, antes que prontuários possam ser eliminados; a Resolução CFM 1.821/2007 vai além e estabelece guarda permanente para prontuários arquivados eletronicamente (art. 7º). Para psicólogos, a Resolução CFP 06/2019 fixa 5 anos como mínimo para documentos e material que os fundamentam (art. 15) — mas a Lei 13.787/2018 estende o prazo mínimo de 20 anos a "todos os prontuários de paciente", inclusive os gerados e mantidos originalmente em meio eletrônico (art. 6º, §5º). Como lei federal prevalece sobre resolução, o caminho prudente é adotar os 20 anos e confirmar com assessoria jurídica. Nenhum plano gratuito — nem pago — transfere essa obrigação para a empresa de software. O que um bom sistema faz é não atrapalhar: manter os registros acessíveis e exportáveis para que você cumpra o prazo.

Plano grátis não é o problema. Plano grátis do qual você não consegue sair com os seus dados é.

5. Assinatura digital

Pela Lei 14.063/2020 (art. 13), atestados médicos e receitas de medicamentos sujeitos a controle especial em meio eletrônico só valem com assinatura eletrônica qualificada — a de certificado ICP-Brasil. O sistema gratuito precisa, no mínimo, aceitar o seu certificado; ele não emite o certificado por você, em nenhum plano.

6 e 7. LGPD, servidor e suporte

Pergunte onde os dados ficam hospedados, quem é o operador e como o acesso é controlado. Sobre suporte: "grátis" pode significar "sem suporte humano", e isso é aceitável desde que esteja escrito. O que não é aceitável é descobrir na hora do problema.

8. Quem paga a conta

Toda empresa precisa de receita. Se o plano gratuito é sustentado por planos pagos, o incentivo é te atender bem para que um dia você faça upgrade. Se a receita vem de outro lugar, vale entender de onde — e o que isso significa para os dados. Quando a resposta é clara, não há problema; quando é vaga, é um sinal.

Como o CliniqMais se encaixa nesse checklist

Para ser justo com o leitor, aplico os oito pontos ao nosso próprio plano: o Inicial é gratuito de forma permanente, sem cartão, com até 10 pacientes ativos e 80 evoluções (teto acumulado); ao atingir o limite nada é apagado — apenas a criação de novos registros é bloqueada; a exportação em CSV de toda a base fica disponível no painel em qualquer plano, e cada paciente pode ser exportado também em JSON (dossiê de portabilidade LGPD e FHIR); a assinatura ICP-Brasil via BirdID está incluída, com o certificado contratado à parte; o banco de dados principal e a autenticação ficam no Brasil (São Paulo), enquanto backups criptografados e alguns subprocessadores (como IA, e-mail e vídeo) operam no exterior, sobretudo nos EUA — todos listados na Política de Privacidade; e a receita vem dos planos Profissional (R$ 89/mês) e Elite (R$ 239/médico/mês). Os detalhes estão na página do plano gratuito e em planos. Para comparar com o mercado em geral, veja quanto custa um prontuário eletrônico.

Perguntas frequentes

Prontuário eletrônico gratuito é seguro para pacientes reais?

Pode ser, desde que atenda aos mesmos requisitos de um sistema pago: controle de acesso, sigilo, exportação e clareza sobre onde os dados ficam. O preço não define a segurança; o contrato e a arquitetura definem.

Se eu atingir o limite, perco meus registros?

Num sistema bem desenhado, não: o que já foi registrado continua acessível e exportável, e apenas a criação de novos registros passa a depender de upgrade ou de arquivamento. Confirme isso por escrito antes de começar.

Plano gratuito e período de teste são a mesma coisa?

Não. O período de teste expira por tempo; o plano gratuito permanente tem limites de uso, mas não de prazo. Pergunte qual dos dois está sendo oferecido.

Quem é responsável pela guarda do prontuário: eu ou a empresa?

Você, profissional de saúde. A empresa de software é operadora dos dados e precisa te dar os meios (acesso e exportação), mas a obrigação de guardar pelo prazo legal é sua.

Fontes consultadas

Conteúdo revisado em 30 de setembro de 2026 pelo responsável técnico (psiquiatra, CRM-MG 58241 · RQE 37921). Esta página é mantida pelo CliniqMais — conflito de interesse declarado. As normas e evidências citadas podem ser atualizadas — consulte sempre as fontes oficiais. Este texto não substitui avaliação clínica individualizada nem assessoria jurídica.

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