Prescrição eletrônica do CFM: como funciona e quando usar outra plataforma
A plataforma de prescrição do CFM é gratuita e emite receitas, atestados e outros documentos. O que a página oficial informa, como funciona e critérios neutros para escolher onde prescrever.
A Prescrição Eletrônica do CFM é a plataforma oficial do Conselho Federal de Medicina para emitir receitas e documentos médicos em meio digital. É gratuita para médicos com inscrição ativa. Segundo a página oficial, emite receita simples, de controle especial, sujeita à retenção e notificações, além de atestados, laudos, relatórios e pedidos de exame, com assinatura ICP-Brasil e envio ao paciente por e-mail ou WhatsApp. Usar outra plataforma é uma questão de encaixe no seu fluxo, não de validade.
O que é a plataforma, segundo o CFM
A descrição abaixo segue o que está publicado em prescricaoeletronica.cfm.org.br (versão da página de 16/09/2026). O FAQ do site informa que a ferramenta foi desenvolvida pelo CFM em parceria com o Conselho Federal de Farmácia (CFF) e o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI).
Custo: "disponível gratuitamente para todos os médicos" com inscrição ativa.
Documentos: receitas simples, de controle especial, sujeitas à retenção e notificações A, B e C; solicitação de exames; atestado de saúde; laudos; parecer técnico; relatório médico.
Acesso: navegador e aplicativo para Android e iOS.
Organização: histórico de prescrições organizado por paciente.
Recursos de apoio: a página cita alertas de interações medicamentosas e consulta à bula.
Escala: a página informa mais de 60 milhões de documentos emitidos e mais de 410 mil médicos ativos.
O site mantém ainda o acesso à plataforma anterior, com modelos em PDF para assinar com certificado digital, para quem usa esse fluxo.
Como funciona, passo a passo
A página descreve seis etapas:
Certificado digital. A assinatura é feita com certificado ICP-Brasil, que o próprio CFM oferece gratuitamente (detalhes em certificado digital para médico).
Emissão do documento, no computador ou no aplicativo.
Numeração do SNCR. Segundo o CFM, "a plataforma consulta o Sistema Nacional de Controle de Receituários e vincula a numeração oficial ao documento de forma automática".
Assinatura com o certificado ICP-Brasil.
Envio ao paciente por e-mail ou WhatsApp, com um link.
Dispensação: a farmácia confere a autenticidade, verifica a numeração no SNCR e registra a utilização.
Sobre os controlados, a home informa que as notificações azul e amarela eletrônicas ficam disponíveis "a partir de 30/09". O FAQ do CFM acrescenta que "a emissão eletrônica de alguns controlados depende da integração ao SNCR". Para saber se um tipo específico já está liberado na sua conta, a referência é a própria plataforma no momento da emissão.
Como a receita é validada
O botão "Validar documento" do site leva ao validador do ITI (validar.iti.gov.br). É o mesmo serviço que a RDC 1.000/2025 manda a farmácia usar para conferir a assinatura de receitas eletrônicas de controlados (art. 13, I). O FAQ da Anvisa (P42) explica que esse validador serve para assinaturas ICP-Brasil e gov.br, e que, nas receitas emitidas por plataformas privadas ou sistemas próprios, a verificação deve usar o validador indicado pela empresa que emitiu a prescrição. O passo a passo para pacientes e farmácias está em como validar receita digital no ITI e pelo QR Code do SNCR.
A receita emitida na plataforma do CFM e a emitida em outro sistema seguem as mesmas regras. O que decide a escolha é onde o documento entra na sua rotina.
Critérios neutros para escolher onde prescrever
Qualquer plataforma, inclusive a do CFM, deve ser avaliada pelos mesmos pontos. Eles vêm das normas, não de preferência:
Critério
O que conferir
Base
Integração ao SNCR
Se emite, já integrada, os tipos de receita controlada que você usa
RDC 1.000/2025, art. 4º; FAQ Anvisa, P49
Assinatura
Qualificada (ICP-Brasil) para controlados e atestados; com quais provedores de certificado funciona
Lei 14.063/2020, arts. 13 e 14
Modelos oficiais
Se gera os receituários eletrônicos nos modelos da Anvisa
RDC 1.000/2025, art. 7º
Registro da plataforma
Se a plataforma está inscrita no CRM da jurisdição onde tem sede, com um médico como diretor técnico
CFM 2.299/2021, art. 5º
Registro no prontuário
Como a prescrição chega ao prontuário do paciente
Código de Ética Médica, art. 87
Validação
Se a farmácia consegue conferir a assinatura no validador do ITI
RDC 1.000/2025, art. 13, I
O FAQ da Anvisa é taxativo no primeiro ponto: uma Notificação de Receita "emitida fora de um serviço de prescrição eletrônica integrado não deve ser aceita pela farmácia" (P49). Já para a receita sujeita à retenção, como a de antimicrobianos e de agonistas do receptor de GLP-1, a assinatura avançada do gov.br é aceita (P41). Na norma ética do médico, a Resolução CFM 2.381/2024 inclui a assinatura qualificada entre os itens mínimos de todo documento médico eletrônico (art. 2º, §1º, V).
Quando faz sentido usar outra plataforma
A plataforma do CFM resolve a emissão do documento. Algumas situações pedem que a prescrição saia de dentro de outro sistema:
Prescrição junto do prontuário. O Código de Ética Médica (art. 87, §1º) pede que o prontuário seja preenchido "em cada avaliação, em ordem cronológica". Se você usa um prontuário eletrônico, prescrever nele mesmo evita ter de anexar ou transcrever a receita depois. É o caso de prontuários com prescrição integrada, como o CliniqMais, que tem a Memed integrada. A comparação está em Memed sozinha ou prontuário com Memed integrada.
Clínica com sistema próprio. Quando agenda e prontuário estão num sistema da instituição, pode fazer sentido que a prescrição saia desse mesmo sistema.
Compatibilidade do certificado. Cada sistema define com quais certificados em nuvem trabalha. A escolha da plataforma e a do certificado andam juntas.
Nada impede combinar os caminhos, como usar um sistema no consultório e a plataforma do CFM em outro serviço. O que não muda é a regra de cada receita, resumida em receita azul e amarela digital.
Perguntas frequentes
A prescrição eletrônica do CFM é gratuita?
Sim. A página oficial informa que a plataforma é gratuita para todos os médicos com inscrição ativa, e o CFM também oferece certificado digital ICP-Brasil sem custo.
A plataforma do CFM emite receita azul e amarela?
A página informa que as notificações azul e amarela estão disponíveis "a partir de 30/09" e que a numeração vem do SNCR de forma automática. O FAQ do CFM lembra que a emissão de alguns controlados depende da integração ao SNCR.
Receita emitida pelo CFM vale em todo o Brasil?
A validade territorial depende do tipo de receita, não da plataforma. Notificações "A" e "B", por exemplo, valem em todo o território nacional pela Portaria 344/98, na redação da RDC 873/2024.
Preciso usar a plataforma do CFM para prescrever digitalmente?
Não. A RDC 1.000/2025 exige, para controlados, um serviço integrado ao SNCR e assinatura qualificada, sem indicar plataforma específica.
Conteúdo revisado em 6 de outubro de 2026 pelo responsável técnico (psiquiatra, CRM-MG 58241 · RQE 37921). Esta página é mantida pelo CliniqMais — conflito de interesse declarado. As normas e as informações da plataforma do CFM citadas podem ser atualizadas — consulte sempre as fontes oficiais. Este texto não substitui avaliação clínica individualizada nem assessoria jurídica.